Ernesto Neto – Ambientes para sentir e cheirar

| Fevereiro 6, 2012 | Comentários

 

Ernesto Neto é o exemplo máximo da liberdade plástica da arte brasileira. Com o seu trabalho procura limites de tensão do objecto no espaço e nas suas instalações a elasticidade física cria formas vivas e orgânicas.

A sua obra tem evoluído de forma consistente, avançado numa direcção mais espacial e interactiva, em que a experimentação do público é essencial. O artista proporciona ambientes para sentir e cheirar, com elementos que se podem tocar, abraçar e usar como assento sem interferir no carácter escultórico das peças. Mostra também uma grande sensibilidade para os materiais, transformando meias de mulher em tensores abstractos, que contêm elementos identificáveis apenas com o aroma.

Quando Neto instalou Lévianthan Thot no Panteão de Paris em 2006, criou uma escultura que estabeleceu um dos diálogos mais prolíficos alguma vez vistos nos tempos recentes entre a arte e a arquitectura. As formas orgânicas voluptuosas, realizadas em tule e poliestireno, foram suspensas na nave central do edifício como uma criatura com membros semelhantes a tubos macios, que criaram um curioso dialogo com o classicismo rigoroso do Panteão.

Ernesto Neto diz que não quer fazer “um trabalho que exiba um corpo sensual”, preferindo que “esse trabalho seja um corpo, que exista como um corpo ou como a ideia de um corpo”.

 

 

Texto: Diogo Cruz;

Revisão: Sara Cabral.

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Categoria: Artes Plásticas

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