Foan82 – “Cada um na sua área tem o dever de ensinar e educar”

| Novembro 4, 2011 | Comentários

A Stand’Art Wall não hesitou em  conhecer o verdadeiro “Foan82″. Tivemos oportunidade de conhecer um criativo cujo a sua carteira de clientes inclui: Sagres, Samsung, IADE, Coca-Cola, ZON, Vista Alegre, Nespresso e muitas mais…Um verdadeiro talento que vale a pena conhecer!

P1: Para começar, gostaria de fazer uma pergunta que talvez já te tenham feito algumas vezes. Ao vaguear pelo teu site, Facebook e por todos os sítios onde tens informação e trabalhos teus, apercebi-me de que não existe nenhuma referência ao teu nome. A minha questão é, porquê Foan82 e qual o teu nome, aquele pelo qual te chamavam os teus pais para a mesa?

É sem dúvida uma boa pergunta para começar. Acho que a razão principal foi mesmo essa “começar”.. Encarei o Foan82 como um começo, quando saí da faculdade lancei-me neste mundo e foi migalha a migalha, com muita formação autodidacta, alguns cursos e muitos projectos que abraçei mesmo gratuitamente que fui crescendo e ganhando a minha independência como Artista e como pessoa. Costuma-se dizer que muitos têm a sorte de nascer num seio artistico, eu acho que no meu caso os skills, adquiri-os pouco a pouco com muitos erros, muitas tentativas e muito trabalho árduo. Foi sempre esse o meu caminho e a evolução que vou sentindo vai-me dando cada vez mais força para evoluir.

Sempre me vi muito à imagem de uma formiga, uma formiguinha que queria sair do seu trilho habitual, para isso tinha que trabalhar o dobro das outras, só assim poderia crescer e “voar” mais alto. Foan representa precisamente, a formiga e a sua ambição além fronteiras. O 82 foi uma forma de nunca esquecer a minha raiz, agradecendo aqueles que diziam: “Miguel vem para a mesa!” lol

[pullquote_right]FOrmiga + ANt + 1982 = Foan82. [/pullquote_right]

P2: Como e quando surgiu esta paixão pelas Artes, pelo mundo da cor, do movimento, das formas? Tiveste alguém que te acompanhou durante todo o teu percurso, houve algum tipo de influência que te ajudou a lançares-te em grande?

Até bem tarde nunca soube muito bem o que iria fazer. Sempre gostei de desenhar, mas nunca senti que fosse alguém capaz de vingar nesta área. Mesmo quando acabei o 12ºano, já em Artes, questionava-me sobre o meu futuro muitas vezes. Sempre fui um aluno mediano, sem nenhuma daquelas grandes ambições que todos os pais desejam para um filho. Recordo-me como se fosse ontem, de estar no Liceu de Oeiras a escolher as faculdades a que iria concorrer.. Só pensava que queria sair daqui. Concorri para Portalegre, para Caldas da Rainha, para Faro. De norte a sul a ideia era apanhar novos ares e travar novos conhecimentos.. Novas pessoas, novos hábitos e também crescer como pessoa. Na altura, nem sabia bem o que era o design. Não tinha computador quando entrei na Faculdade, os trabalhos eram todos feitos à mão.

Mas foi uma lufada de ar fresco, toda uma vivência de vários anos com pessoas que sentiam o mesmo que eu, que tinham gostos parecidos, fez-me crescer e descobrir o que era isto do “design” e perceber que era aquilo que eu queria fazer na minha vida. Podia ter acontecido o oposto, mas felizmente tive a sorte de o destino me ter encaminhado num sentido que me trouxe ao que sou hoje.

 

P3: Fala-nos um pouco sobre a tua infância e a tua adolescência. Conta-nos episódios teus que aches que foram contributos importantes para aquilo que hoje és. Diz-nos também se Oeiras foi de facto um bom local para que começasses a sentir toda a inspiração de que precisaste para criar grandes trabalhos.

Sempre gostei muito de desenhar, em criança gostava muito de reproduzir os desenhos dos livros de banda desenhada, também sempre gostei de passar horas a fio a ver desenhos animados e filmes de animação. Apesar de ter vivido sempre em Oeiras, foi em Portalegre onde me formei que realmente me apaixonei pelo mundo da comunicação visual. Até lá como te disse nunca tive muitas expectativas sobre o meu futuro. Vivi uma adolescência como qualquer jovem onde os amigos são tudo para nós.

 

P4: Em relação às Artes, no seu contexto geral, que achas da sua posição em Portugal? Achas que são banalizadas, que estão bem vistas por todos, enfim, achas que a mentalidade das pessoas tem de se moldar um pouco mais?

Cada um na sua área tem o dever de ensinar e educar. Acho que muitas vezes se usa a desculpa das mentalidades serem muito fechadas para justificar uma ou outra situação que não correram como previsto. Faz parte depararmo-nos com situações que nos desafiam. Parte de nós sermos capazes de dar a volta por cima e persistir para que o projecto tome o melhor rumo. Temos que ser nós a mudar a forma como as pessoas vêm a arte e tudo o que lhe advém.

 

P5: Tens um estilo muito próprio, gostas de figuras curiosas, com muita cor e expressividade. Fala-nos sobre isso, onde vais buscar todo este material que usas nos teus trabalhos? Tens algum género de inspiração no teu quotidiano, ou inspiraste-te em algum artista?

O meu dia-a-dia é a minha maior fonte de inspiração e muitas referências advém dai. Tambem sempre mantive o habito de ver muitos filmes de animação, são a forma mais relaxada de me abstrair deste mundo. Claro que também faço questão de diariamente surfar na internet e recentemente resolvi criar um Thumblr onde de certa forma abro as portas da minha inspiração e referencias ao mundo. Deixo-vos o caminho para terem uma noção do quão perturbada pode ser a mente de um criativo.  http://foan82.tumblr.com/

P6: Daquilo que vi no teu site, usas apenas recursos digitais para os teus trabalhos. Isto é geral ou ainda gostas de fazer trabalhos à antiga, de sujar as mãos de tinta e sentir o som de um lápis a riscar o papel? O que pensas desta invasão tecnológica que existe nos dias de hoje? E no campo das Artes, achas benéfico ou prejudicial todo este facilitismo?

A minha área de actuação neste momento é muito focada no meio digital. Tem sido um desafio muito valioso, o que não invalida começar a grande parte dos meus projectos com um desenho numa folha de papel. Quem conheçe a sensação do lapis a rabiscar um papel nunca mais esqueçe.

 

P7: Como começou esta tua carreira de artista, ilustrador, web designer, que trabalha para empresas? Conta-nos como se realiza todo esse processo de criar para outra pessoa que não tu próprio, quando se tem de seguir certas matrizes dadas por outras pessoas. Não sentes a tua criatividade um pouco amarrada? Ou na maioria dos casos dão-te carta-branca para deixares a tua imaginação falar mais alto?

Trabalhar para um cliente é um desafio diferente de criares para ti próprio. São situações que a meu ver não devem ser encaradas de igual forma. Mas ambas são uma forma de arte a meu ver. Quando aceito o desafio de trabalhar uma marca ou um produto, é nela que tenho de pensar. O Objectivo é comunicar aquela marca e não eu. Quando trabalho para mim deixo a criatividade remar à frente. Quando o trabalho é para um cliente temos de domar a nossa criatividade e conhecimento de forma direcionada para atingir um target e conseguir rever no cliente a mesma satisfação que estamos a sentir. A criatividade deve ser desafiada e os clientes muitas vezes obrigam-nos a pensar de forma diferente, obrigam-nos a questionarmo-nos sobre muitos aspectos que outrora achávamos seguramente certos.

P8: Há sete anos atrás estavas a formar-te, fala-nos disso, de que maneira ajudou o teu percurso escolar a transformar-te naquilo que és hoje, no artista em que te tornaste. Foi quando percebeste que era mesmo isso, que estavas no caminho certo, que ias fazer aquilo que te deixava feliz e realizado, ou toda essa constatação surgiu antes?

Como já te disse antes, foi em Portalegre onde me formei em design de comunicação que descobri aquilo que mais gostava de fazer. Descobri que gostava do desafio de comunicar através da imagem. Acho que para além disso a escola ajudou-me essencialmente na parte técnica, a utilização de software precocemente e pouco usual na minha altura tornou-me mais ágil. Recordo-me de ter saido de Portalegre e pouco tempo depois estava a dar aulas numa escola técnica em Lisboa. Depois de licenciados muitos jovens iam para as escolas técnicas adquirir conhecimentos de programas para colmatar a ausência destes nas universidades.

Entretanto fui orador, freelancer, escravo de laboratório, fundador da Ruadesign, do projecto Flaya e do Ideothas acabando por entrar no mundo das Agencias.

Acho que o importante é nunca desistir e acreditar sempre!

 

P9: Certamente já terás dado uma vista de olhos pelo site da Stand’Art Wall. Que achas-te deste novo conceito, deste mural exclusivamente dedicado às artes, onde o mais conhecido, o menos conhecido, toda a gente pode partilhar a sua Arte, e ver também aquilo que de melhor se passa por aí, enquanto ouve boa música da Rádio Stand’Art? Fazia falta algo que incentivasse os jovens artistas a mostrarem-se e um local onde o pudessem fazer?

Acho sempre bom projectos que “puxam” informação exterior de qualidade para o nosso Pais, para a nossa lingua. Em muitos aspectos esse sempre foi um factor condicionante para a evolução que temos sentido nos ultimos anos. Reparei que abordam varios temas desde Design a filmes e música. É um projecto bastante completo e que pude reparar tem sem dúvida artigos com muito conteúdo. Estão de parabéns sem dúvida!


P10: Para terminar gostava que indicasses algum trabalho, ou trabalhos que te tenham dado imenso gozo a fazer, certamente todos deram, mas aquele que ainda hoje te faz olhar e pensar «Bolas, está genial!». Diz-nos o porquê de ser o teu predilecto, as razões, como e quando o realizaste.

Cada projecto teve o seu peso na minha evolução de uma forma ou de outra. Gosto de olhar para eles depois de terminados e pensar o que melhoraria se tivesse mais tempo. O ultimo que me deu muito gozo fazer a titulo pessoal foi a capa para a Computer Arts Portugal. Foi um desafio a mim próprio de fazer algo diferente. Começou por um desenho em papel e acabou como é usual no meu trabalho no Photoshop. Correu muito bem, sobretudo porque pude pensar nele com tempo e desenvolver um conceito por trás.

sabe mais em:  http://www.foan82.com/

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Categoria: Ilustração, Novos Talentos

Sobre o Autor ()

Estuda Artes plásticas e multimédia no Instituto Politécnico de Santarém e é um amante das Artes. Apoiou o projeto Stand'Art Wall ao máximo uma vez que já fazia falta algo dedicado apenas à Arte! É amante de ilustração e cinema de animação, sendo o responsável pela secção da primeira categoria.