Gonçalo Preto – “Simplesmente adoro desenhar!”
Mais uma vez a Stand’Art Wall apresenta-vos um novo talento chamado Gonçalo Preto, tem 20 anos e estuda Design de Equipamento na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Não hesitámos em fazer-lhe umas perguntas:
Stand’Art Wall: Diz-nos o que é para ti a Arte, no seu conceito universal. Achas que seria possível subsistirmos num mundo sem Arte? Estará a Arte para o homem, como a gasolina está para um automóvel?
Gonçalo Preto: Podemos dizer que sim. A arte é uma necessidade básica, muitas vezes passa despercebida. Seria possível viver sem ela? Acho que não. Tal como o Gemeniano (entrevista anterior dada à Stand’Art Wall em: www.standartwall.com/?p=619) já disse, cada vez mais o Homem é diariamente bombardeado com milhares de imagens, que nos fazem sentir sensações e sentimentos, acabando assim por criar uma certa dependência desta “Arte” que habita em cada um de nós. A arte não é vista ou sentida da mesma forma por todos, o que para muitos é arte para outros não é. Portanto ficamos sempre a pensar neste tema contraditório. A Arte não e só um óleo em tela ou uma escultura perfeita. Tem muito mais que se lhe diga. Na minha opinião a Arte já é algo tão generalizado que vivemos num mundo em que toda a gente pode ser artista. Eu pessoalmente não me considero um artista, no sentido em que sinto que não tenho a qualidade ou a maturidade para tal. Simplesmente adoro desenhar e vivo para ela.
S’A W: Disseste que desde pequeno que gostas imenso de rabiscar e pintar livros para colorir, nessa altura chegaste a pensar ou a desejar uma carreira artística. Achas que já pensavas que querias ser um pintor ou um ilustrador ou fazias apenas esse pequeno grande gesto de pintar e desenhar, porque sim, porque te fazia sentir bem?
GP: Nada mesmo, sempre adorei desenhar. A verdade é que quando somos pequenos todos desenhamos. Bem ou mal todos gostamos de massacrar o papel e usar tudo o que temos à frente. Mas comecei a ganhar gosto no que fazia, via desenhos animados todos os dias, folheava BD’s para ver a bonecada e acabei por ganhar o gosto e aperceber-me que afinal tinha jeito.
S’A W: Contaste-nos que o teu pai é arquitecto e também foi professor de desenho. De que maneira é que uma pessoa tão próxima de ti – também ela ligada às Artes – influenciou o teu percurso escolar e pessoal?
GP: Desde sempre vivi de perto o trabalho do meu pai, via os projectos, perguntava-lhe coisas, era curioso, ia para as aulas dele, e acho que o facto de ter um contacto directo com tudo isso acabou por ter peso nas minhas escolhas. A verdade é que no secundário sempre, mas sempre pensei em ir para Arquitectura, e agora estou nas Belas Artes a acabar o curso em Design de Equipamento. As escolhas mudam mas acabam sempre por estar dentro do mesmo mundo. Sempre me incentivou a desenhar porque percebia que tinha gosto em fazê-lo.
S’A W: Através do teu perfil no Facebook podemos ver variadíssimos trabalhos teus. Se te pedisse para atribuíres um nome ao teu estilo, o que lhe chamarias? Ilustração, pintura, desenho…? Consideras o teu estilo algo revoltoso – expressivo – ou algo mais calmo e pensado – mas realista?
GP: Sinceramente não sei porque não tenho um único registo, gosto de tentar arriscar um pouco em todos os estilos. Talvez algo entre o desenho e a ilustração, o desenho é a base para tudo. A ilustração é simplesmente uma extensão do desenho, acaba por ser algo mais específico.
[pullquote_right]“Não me considero um artista (…) simplesmente adoro desenhar” [/pullquote_right]
S’A W: Essa tua paixão por livros de banda desenhada surgiu desde muito cedo, como nos revelaste. Ainda hoje gostas de ler uma banda desenhada ou és tu próprio que fazes as tuas histórias e as ilustras?
GP: Ainda hoje adoro ler uma boa banda desenhada, independentemente do autor ou do estilo que este tem. Acho que é fundamental ter referências visuais e não nos prendermos a um único estilo. Quando leio bandas desenhadas tento captar os pormenores e detalhes característicos específicos de certo artista, a sua marca. Tenho várias ideias mas nada passado para o papel. Só fiz uma vez uma BD, e senti uma enorme satisfação quando a vi acabada, tinha 12 anos se não me engano.
S’A W: Em relação ao teu estilo artístico, onde foste buscar essa expressividade que atribuís a cada personagem, ou a cada trabalho que crias? Tem haver com as referências que tens, com os artistas em quem te inspiras? Consegues indicar alguns?
Gonçalo Preto: Tento não me prender a um único estilo. As principais características do meu trabalho são a riqueza do pormenor, a originalidade e o perfeccionismo que tento aplicar em cada ilustração. Sim, sem dúvida que muitos artistas influenciam o meu trabalho, Alex Pardee, Anthony Lister, Kid Zoom, Andre Fernandes Trindade, André Carilho, Robert Longo, Herakut, Best Ever, Milo Manara, Enki Bilal, Frank Miller, Nic Klein, Greg Craola Simkins, Mc Bess, Blu, ARYZ, Mr.Dheo, Paulo Arraiano, Melissa Cooke, entre muitos outros.
S’A W: Gostas de fazer experiências e misturas com materiais, quando crias. Fala-nos sobre isso. Quais são os teus materiais predilectos e porque gostas de os usar?
GP: Acho fundamental experimentar materiais, arriscar e conseguir acrescentar algo de novo ao nosso trabalho. Sempre adorei desenhar com grafite, é o material com que me sinto mais à vontade, embora goste de usar aguarelas, tinta-da-china, ecoline e fita adesiva. Agora tenho desenhado só com BIC, ando sempre com uma no bolso e desenho no meu sketchbook sempre que posso. Adoro ver a malha final e o facto de ser um material tão livre e tão simples.
S’A W: Contaste-nos que ingressaste no ensino superior com óptimas notas em disciplinas específicas o que te abriu portas, nomeadamente para que pudesses estudar na Faculdade de Belas Artes – Universidade de Lisboa. Como consideras actualmente o teu percurso escolar e de que maneira é que esta passagem para o ensino superior te ajudou no melhoramento da tua técnica, e também na tua própria maneira de pensar?
GP: Sinceramente acho que a entrada nas Belas Artes foi a grande cambalhota na minha vida. Acho espectacular ver como podemos mudar de ideias tão facilmente e lutar por elas. Quando entrei nas Belas Artes conheci pessoas espectaculares e super talentosas. Não só em ilustração, mas em todos os ramos das artes. Acho que o facto de convivermos, nos faz crescer como pessoas tendo influência directa no nosso trabalho, pois estamos sempre a aprender uns com os outros. Comentamos, vemos e criticamos os trabalhos uns dos outros, sempre com o objectivo de ajudar a melhorar.
S’A W: Os trabalhos que fazes, são apenas para ti, ou neste momento já realizaste algum projecto para alguém, dentro da área da ilustração? Uma vez que, também no teu perfil do Facebook, dizes ser freelancer na área da ilustração.
GP: Normalmente desenho para mim, mas tenho participado em concursos de ilustração e agora recentemente participei numa exposição colectiva e fiz 2 gráficos para a LOWPRODECKS, uma marca de fingerboard portuguesa. E mais projectos e propostas começam a aparecer.
S’A W: Para além de viveres rodeado de Arte e criares espantosos trabalhos, que outras coisas gostas de fazer no teu dia a dia? As tuas actividades são também fontes de inspiração para o teu trabalho artístico? Fala-nos do teu meio, daquilo que te inspira.
Gonçalo Preto: Diariamente vejo dezenas de artistas. Estou constantemente a procurar e fico fascinado com a qualidade e empenho que todos eles têm. Isso só me faz querer trabalhar mais e mais. Pois embora me faça sentir muito pequenino neste mundo, acaba por ser mais um incentivo para dar o “litro”! Há cada vez mais qualidade e cada vez mais competitividade, obrigando-nos a praticar e tentar inovar porque se não fizermos por nós acabamos sempre por ser só mais um. Estar com os amigos é uma fonte de inspiração e a melhor maneira de espairecer. Comentários, conversas, gargalhadas, parvoíces, às vezes são o suficiente para termos uma ideia e que põe a imaginação a funcionar a mil! Na rua sou muito observador, tento ver os traços das pessoas, a maneira como andam, as feições, os pequenos detalhes.
S’A W: Para terminar gostava de perguntar-te como encaras o avanço tecnológico nos dias de hoje e de que maneira é que ele contribuíu para uma melhoria do desenvolvimento do teu trabalho. Hoje em dia já usas mais o computador para fazer algumas ilustrações ou continuas a preferir o método tradicional? E ainda em relação às tecnologias, a Stand’Art Wall, o projecto que agora foi lançado, que achas desta relação que existe, devido aos meios de comunicação, nomeadamente a internet, com a Arte? O que achas desta nova forma de mostrar, partilhar e criar a Arte?
Gonçalo Preto: Começo a usar os meios digitais para certo tipo de ilustrações, mas sem margem de dúvidas que prefiro o método tradicional. Sente-se o desenho de outra forma. Tal como já disse, adoro experimentar e praticar. Um trabalho feito à mão tem muito mais valor do que um feito no computador, há sempre algo que acontece por acaso, muitas vezes não consegues controlar o material e é essa a piada, a espontaneidade no resultado final. Relativamente à Stand’Art Wall, acho que foi uma iniciativa espectacular e uma aposta em grande, um espaço super completo e bem solucionado, visto que este dá oportunidade a toda a gente de poder mostrar e partilhar o seu trabalho. Estão todos de parabéns e muito obrigado pela oportunidade.
O perfil e trabalhos deste artista podem ser visitados através do Facebook em: www.facebook.com/profile.php?id=100000691744604.
Categoria: Ilustração, Novos Talentos






















