“Guava”, uma marca com assinatura portuguesa.
No pequeno mas inspirador atelier da “Guava“, a Stand’Art Wall foi conversar com a jovem designer Inês Caleiro, que com apenas 28 anos lançou a s
ua marca de sapatos que neste momento já adquiriu projecção internacional.
Inês iniciou a sua formação no IADE onde tirou o curso de design gráfico, a aérea de moda sempre despertou a sua atenção e numa altura em que ainda não sabia bem o que queria fazer, tinha consciência de que não era desenhar roupa o caminho a seguir. Sempre teve uma maior tendência para os acessórios, para uma “dimensão mais pequena”. O design gráfico levou-a a explorar e a tentar perceber “Onde é que podia encaixar essa aérea do design e depois no futuro aplica-la aos acessórios de moda”, Inês queria quebrar as barreiras da criação de moda.
Depois de acabar o curso partiu para Londres e estudou na London College of Fashion na área de design de acessórios e fez em part-time um curso de design do produto, com a ideia de poder um dia juntar todas estas vertentes num só design.
Fez um projecto da disciplina de calçado que foi adorado pelas responsáveis do curso, que lhe valeu um prémio de reconhecimento de melhor aluna do curso, e assim conseguiu um estágio na Jimmy Choo, uma das mais prestigiadas marcas de sapatos do mundo.
“A passagem na Jimmy Choo foi uma experiência para perceber como é que as coisas funcionam”
“A passagem na Jimmy Choo foi uma experiência para perceber como é que as coisas funcionam” mais do que uma fonte de inspiração em termos criativos, uma vez que a vertente que Inês queria explorar não tinha a ver com o conceito desta marca, mas sim com um concepção muito mais gráfica e geométrica do design.
Viveu ainda nos Estados Unidos onde fez um estágio numa empresa de design de produto em Washington, e foi aí que se apercebeu, que era possível fundir todas as areas de design de adorava, e começou quase sem se perceber a projectar uma colecção de sapatos.
Chegou a Portugal quando a crise estava no seu auge e as coisas pareciam estar a desmoronar-se.
Cheia de adrenalina que trouxe do tempo que passou fora, “queria era fazer coisas novas, queria trazer tudo aquilo que aprendi lá fora para cá, queria fazer muitas coisas ao mesmo tempo.”
Quando lhe perguntamos acerca de como foi enfrentar o lançamento de uma marca num período tão difícil economicamente no nosso pais, Inês respondeu cheia de optimismo “não me assustou de todo o facto de as coisas estarem complicadas porque eu sempre acreditei que as oportunidades somos nós que as criamos, se nós não formos atrás delas independentemente de estar o mundo a cair e a ruir à nossa volta as coisas não vão melhorar se não formos nós a dar esse passo e a termos a iniciativa de fazermos alguma coisa diferente. (…) Se as coisas estão mal se calhar temos que ser nós jovens que estamos cheios de ideias e energia a por as coisas em prática”
(…)não me assustou de todo o facto de as coisas estarem complicadas porque eu sempre acreditei que as oportunidades somos nós que as criamos (…) Se as coisas estão mal se calhar temos que ser nós jovens que estamos cheios de ideias e energia a por as coisas em prática.
Inês admite que não foi fácil, não havia programas de apoio nem apoios financeiros.
Precisou “ de ser ainda mais criativa para por um projecto destes a andar”, as fábricas fecharam-lhe as portas com medo de investir em algo tão diferente, os bancos não davam ajuda por terem medo que o projecto de Inês fosse complicado.
“Tive de revolucionar a minha cabeça e pensar como é que eu vou dar a volta?” A única solução era agarrar nas poupanças que tinha e multiplicá-las de alguma maneira.
“Confiem em mim, façam isto, vamos lá arriscar” conseguiu agarrar a confiança dos fabricantes , eles viram que a Inês se estava a mexer, que a marca começava a aparecer a nível da imprensa e por isso as encomendas começavam a surgir e tudo funcionou como uma bola de neve.
A nível internacional a sua estratégia baseou-se em “atacar os mercados” que conhecia, Estados Unidos, a nível Europeu mais a Inglaterra e de repente deu por ela com uma boa projecção da Guava a acontecer muito rapidamente, o volume de encomendas aumentou, o que deu mais confiança aos fabricantes. Inês descreve este período de evolução da marca como “todo um círculo de confiança acima de tudo e de vontade de acreditar no projecto”
É a própria Inês que gere toda a estratégia de marketing e publicitação da Guava, principalmente através de suportes digitais como o facebook, o que tornou a expansão da marca muito mais rápida.
No estrangeiro a marca tem-se destacado e Inês dá por ela a ser contactada por lojas na Ucrânia, na Bélgica, na Holanda entre outras que se têm mostrado interessadas em representar a marca.
“Tenho notado que as vezes as pessoas pensam, bem, isto nem parece ser um sapato portugues” Inês diz que nota que as pessoas estavam habituadas a ver um certo padrão no que diz respeito ao design do calçado português que a Guava vem agora de certo modo desafiar. “Portugal está a começar a mostrar design e coisas que são realmente arrojadas e isso ajuda se calhar a que alguns mercados internacionais comecem a pensar que há mais aqui do que aquilo a que estavam habituados e se calhar vale a pena investir neste mercado”
“Portugal está a começar a mostrar design e coisas que são realmente arrojadas e isso ajuda se calhar a que alguns mercados internacionais comecem a pensar que há mais aqui do que aquilo a que estavam habituados e se calhar vale a pena investir neste mercado”
“Espero que assim seja, espero que outros mercados venham cá buscar outros designers, outras ideias e outros produtos” diz a designer, que ao longo de toda a entrevista se demonstrou bastante positiva em relação ao futuro do nosso pais e dos jovens designers portugueses.
Infelizmente tem notado que lá fora as pessoas continuam a ser mais fáceis de conquistar, apesar de a receptividade do mercado português estar a melhorar.
“Tem sido óptimo sentir que quer a nível nacional quer a nível internacional (…) a Guava se está a tornar numa marca de desejo (…) alguns mercados vêm ter com a marca o que é ainda mais gratificante”
Em relação à nomeação para os Fashion Awards, Inês diz que não conseguia acreditar e que para ela foi uma experiência “surreal”. A nomeação foi em Novembro de 2011 e a marca tinha sido lançada em Setembro do mesmo ano, em apenas dois meses a marca destacou-se a ponto de ser nomeada para um prémio de grande reconhecimento
Já se começa aos poucos a falar da colecção Outono/Inverno 2012 e a Inês deixou um “cheirinho” daquilo que vai ser à Stand’Art Wall.
Seguindo a sua linha muito gráfica, Inês pegou na temática “laboratório” e desenvolveu-o “muito em volta deste conceito tecnológico, das cores muito cristalinas e envernizadas quase, que transmitem uma ideia futurista”. Será o primeiro lançamento de uma linha de homem da Guava,que para já está a ser recebida com entusiasmo pelos compradores. A colecção será promovida num evento a acontecer no showroom do stand com o qual o atelier da marca partilha o espaço.
Agora que a marca se encontra já estável e com força, Inês destaca a gratificação que sente por ter conseguido ultrapassar as dificuldades que se impuseram no caminho.
“Isso passa muito por nós, nós que estamos deste lado a criar um produto se confiarmos e acreditarmos nele, se tivermos garra para ir contra todos e conseguirmos aquilo que queremos, as coisas acontecem.”
O caminho que Inês percorreu e aquilo que conquistou “é prova e é exemplo para muitos jovens que realmente as coisas são possíveis de acontecer, basta nós aos poucos, independentemente dos problemas e das barreiras que surgem sermos ainda mais criativos e pensarmos em soluções (…) espero que a Guava possa ser um exemplo para outros jovens”
Categoria: Design de Produto, Design Gráfico, Moda, Novos Talentos





















