Miguel Endara – um ilustrador de pontinhos ou um talento de paciência
A Stand’Art Wall descobriu mais uma prova de como a arte está presente em todo lado e não precisa de ter uma língua específica para ser compreendida. Esta não fala português mas se olharmos para ela vamos perceber o quão mágica e poderosa é o trabalho artístico que atravessa fronteiras.
O seu autor é Miguel Endara, vive em Miami e é um jovem prodígio da “ilustração aos pontinhos”. A Stand’Art Wall colocou algumas questões a este artista para ficarmos a conhecer melhor como é que o seu trabalho nos marca por ter um estilo irreverente, que não estamos habituados a ver. Podemos até afirmar que Miguel Endara é um talento de paciência!
Para saberes mais sobre este artista visita www.miguelendara.com ou www.vimeo.com/miguelendara.
Stand’Art Wall: Quem é o Miguel Endara?
Miguel Endara: Cresci na Florida, em Miami e tenho sido um amante da arte desde que me lembro. Comecei por desenhar super-heróis de bandas desenhadas da Marvel e depois fui-me afastando lentamente dessas influências e comecei a desenhar animais no seu habitat natural. A minha mãe foi sempre a minha “fã número um” e também a minha coleccionadora privada de arte. Estas são das poucas coisas que me lembro, que me fizeram continuar e investir neste mundo.
S’A W: Em relação à tua arte, àquilo que fazes de melhor, diz-nos como consideras o teu estilo? Se te pedíssemos para te intitulares, chamar-te-ias um ilustrador, um pintor, ou apenas um desenhador?
M.E.: É um estilo um pouco complicado definir, para ser honesto. Tudo começa como desenho mas depois torna-se numa peça de arte composta por duas partes de meios diferentes. Gosto de ver o meu trabalho e intitula-lo como “ilustrações de tinta e caneta”.
S’A W: Como é vista a arte, no seu contexto geral, no teu país. É muito vivida ou passa despercebida?
M.E.: O cenário das artes é muito emocionante por aqui! Especialmente em Miami. Há artistas extremamente talentosos e dotados no local onde moro e estou muito orgulhoso por ser considerado um desses artistas.
S’A W: Como entraste para este mundo?
M.E.: Muito gradualmente. Comecei por frequentar muitas aulas de arte na escola, no entanto acabei por seguir por um caminho mais dado ao design gráfico. Aquilo que hoje faço era, inicialmente, um mero hobby, por minha conta, mas mais tarde a paixão aumentou e agora aqui estou.
S’A W: Ao passar os olhos pelo teu site e pelos trabalhos que lá tens, deparamo-nos com fantásticas e inovadoras criações. Onde vais buscar inspiração para todo aquele realismo e toda aquela expressividade? Tem a ver com as referências que tens?
M.E.: Sim, tem certamente! Eu devo todo o meu sucesso aos meus colegas da escola e aos artistas de Miami. Sem esta ajuda eu nunca teria sido capaz de criar os meus projectos digitais ou as minhas “ilustrações de tinta e caneta”. Alguns deles, passo a enumera-los, foram a Tati Suarez, o David Iglesias, o Luis Santi Jr., o Andrew Bouchie e o Kevin Corrales, entre outros. Todos eles me inspiraram!
S’A W: Porquê infinitos pontos minúsculos nos teus trabalhos?
M.E.: Bom, esta foi uma técnica que descobri enquanto frequentava a escola. Para ser mais preciso, descobri-a enquanto desenhava no verso dos meus cadernos. Sinceramente não sei porque escolhi os pontos para preencher as manchas que os cadernos tinham, mas o que é certo é que escolhi e gostei da aparência e da textura que o efeito criava. Considero-me ainda mais fascinado pelos pontos uma vez que através do seu uso, eu posso sempre melhorar a minha obra com mais ou menos pontos.
S’A W: Ainda em relação ao teu estilo, a maior parte dos teus trabalhos artísticos abordam o corpo humano. Porquê esta predominância do naturalismo?
M.E.: Eu não me tenho centrado no desenvolvimento de nenhuma técnica ou estilo, propriamente dito. O meu trabalho artístico surge intuitivamente e penso que o facto do naturalismo estar mais presente nos meus trabalhos, deve-se muito às influências de outros artistas. De qualquer modo, acho as formas orgânicas mais apelativas, uma vez que todas as curvas suaves tornam-se mais interessantes de representar no que diz respeito à técnica da trama de pontos que utilizo.
S’A W: Como ilustrador, se te podermos chamar assim, o teu percurso tem sido sinuoso?
M.E.: Como ilustrador eu tenho crescido aos poucos, mas muito lentamente. Penso que o vídeo – www.vimeo.com/33091687 – que lancei sobre o meu trabalho de pontos trouxe alguma luz a esta técnica artística, que tem andado escondida por entre as sombras por um grande período. Eu tenho muito orgulho em fazer parte do grupo de artistas que utilizam esta técnica e que permitiram que este processo fosse reconhecido numa escala muito maior.
S’A W: Para além de viveres rodeado de arte e criares espantosos trabalhos, que outras coisas gostas de fazer no teu dia-a-dia? As tuas atividades são também fontes de inspiração para o teu trabalho artístico?
M.E.: Esta é uma resposta que poderia durar para sempre! Eu gosto de fazer praticamente tudo. Faço bastantes desportos quando posso, sou um viajante e um aventureiro e também tento ser um músico. Tudo ao mesmo tempo! É quase como se todas as semanas tentasse arranjar um nosso passatempo. Simplesmente quero experimentar tudo aquilo que a vida tem para oferecer, mas infelizmente não sobra muito tempo para tal.
S’A W: O que achas de todo este avanço técnico pelo qual estamos a passar neste momento? Consideras que pode ser algo benéfico para o campo das artes?
M.E.: Eu acho que tem sido um avanço bastante positivo. No meu caso particular, os progressos da tecnologia permitiram que eu trabalhasse de forma mas eficiente e produtiva. Quanto mais rápido eu trabalho com as minhas câmaras e software do computador, mais eficientemente eu trabalho nos meus desenhos. Vejo a nossa espécie a evoluir a um ritmo cada vez mais rápido.
Texto: Tiago Sotenho;
Revisão: Sara Cabral.
Categoria: Ilustração, Novos Talentos




















