O Cisne Negro de Darren Aronofsky

| Abril 23, 2012 | Comentários

Título: O Cisne Negro

Título Original: Black Swan

Ano: 2010

Realização: Darren Aronosfky

Argumento: Mark Heyman, Andres Heinz

Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel

Classificação: 4.0/5.0

 

Já todos tivemos a oportunidade de testemunhar um pouco da imaginação de Darren Aronofsky, apesar do seu curto currículo. Conhecemos o seu lado mais obscuro e controverso com Requiem For a Dream, bem como os milagres que consegue dos seus actores em The Wreslter. O seu mais recente êxito, Black Swan, combina o melhor dos dois: um thriller enigmático e perverso, pontuado por grandes actuações.

O filme explora a mais recente adaptação de O Lago dos Cisnes, onde o visionário Thomas Leroy (Vincent Cassel) decide fundir as duas personagens principais, o Cisne Branco e o Cisne Negro, numa só. Nina (Natalie Portman) é a escolhida para representar estas duas forças opostas, tarefa que testará não só os seus limites físicos como o seu equilíbrio mental.

Em já habitual colaboração com o director de fotografia Matthew Libatique, Aronofsky explora imagens de uma beleza delicada, com cores saturadas e pormenores intensificados, alternando-as com o negro de um terror arrepiante que afronta o seu público com dúvidas constantes.

Evita facilmente clichés enquanto desdobra o universo do ballet sem rodeios, onde as lesões são recorrentes, a pele sangra e os dedos são enfiados na garganta. Um lugar onde a exigência física é extrema, mas nada é mais abalado que a mente, e portanto Nina escorrega; mas escorrega com uma fragilidade sedutora tal, que tamanho defeito só aumenta o seu encanto.

Esta fragilidade brilhante, prova de talento e trabalho árduo, fundamenta facilmente o Óscar que a actriz venceu. Em Black Swan, Natalie Portman demonstra o significado real de dedicação a um papel, realizando parte da dança e sofrendo com isso, chegando a deslocar uma costela. Excepcional também a mãe de Nina, interpretada por Barbara Hershey, que sufoca a filha ao alimentar a sua ingenuidade fatal, e Vincent Cassel, figura provocante que tenta a protagonista, e cujo tamanho e tenacidade cria um contraste interessante entre Leroy e as bailarinas, particularmente Nina.

A banda sonora contém adaptações radicais das músicas de Tchaikovsky, o que a impediu de ter sido candidata a qualquer prémio. O que é evidentemente justo, mas quando ouvimos não parece; Clint Mansell necessita tanto de talento como de coragem para alterar de forma tão inventiva os temas do célebre compositor.

Com o trabalho de Mansell o filme ganha ritmo e vivacidade, culminando num espectáculo épico onde o esforço de equipa é visível. Em Black Swan realidade e ilusão entranham-se num jogo de espelhos engenhoso onde a tensão é crescente. A partir da segunda metade do filme é impossível desviar o olhar: a imersão é tal que o final promete queixos caídos.

 

Texto: Maria Sofia Teixeira

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Categoria: Cinema

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