Óscares 2012

| Março 15, 2012 | Comentários

Para apresentar a 68ª edição dos Óscares a Academia escolheu o comediante Billy Crystal, veterano desta tarefa, sendo esta a oitava vez que o faz. Não é uma escolha inocente visto que a crítica não recebeu de braços abertos os apresentadores da última edição, James Franco e Anne Hathaway. Embora não considere que foi o desastre total que muitos bradaram, a verdade é que o esforço de alcançar um público mais jovem acabou por excluir a restante audiência deste espetáculo que, não por acaso, constitui a sua maioria.

O tema foi lançado no fórum da Stand’Art Wall: será que este ano a Academia iria enterrar a cabeça na areia e voltar às cerimónias em que a melhor parte da noite é o red carpet? A resposta, felizmente, é um sólido não. Voltaram a Billy Crystal, sim, mas mais confiantes e com a mesma missão: agradar ao público mais jovem.

A cerimónia abriu com um sketch cómico, mas não particularmente engraçado, mas aprecia-se o esforço. Feito isto, basta deixar Billy Crystal à solta no palco e a magia acontece. Contou-se ainda com uma atuação especial do Cirque du Soleil, dedicada ao cinema. O número começa com uma adaptação da icónica cena do filme de Alfred Hitchcock, North by Northwest, onde Cary Grant é perseguido por uma avioneta. No Kodak Theatre, trapezistas fazem acrobacias sobre a plateia de estrelas no que é provavelmente a única parte do número que se revela interessante.

 

Os Óscares são a última cerimónia na época dos prémios cinematográficos, e como tal, os vencedores são anunciados, por vezes, sem surpresas. No entanto, já há uns anos que não se viam escolhas tão previsíveis.

A lista começa com os prémios de Melhor Fotografia e Melhor Direção Artística, ambos atribuídos ao filme de Martin Scorsese, Hugo – que ainda no campo visual recebeu o galardão dos Efeitos Especiais. Uma escolha mais acertada para a primeira categoria seria sem dúvida The Tree of Life. A estética de Hugo pode ser prodigiosa, mas a de Terrence Malick é de outro mundo. E enquanto que em Hugo o que sobressai é um sentimento de nostalgia, em Harry Potter and the Deathly Hallows Part II os efeitos especiais são impressionantes.

Melhor Guarda-Roupa é atribuído ao The Artist, e Melhor Caracterização ao The Iron Lady pelo soberbo trabalho que fizeram com Meryl Streep. The Girl With the Dragon Tattoo recebeu o prémio de Melhor Edição, e Melhor Montagem e Mistura de Som foram, mais uma vez, para o Hugo – e aqui, talvez Drive merecesse uma distinção.

Na música, foi Man or Muppet, com as vocais de Jason Segel no filme The Muppets, que se destacou, e a maravilhosa banda sonora do filme The Artist, composta pelo francês Ludovic Bource.

 

Melhor Filme Estrangeiro foi para o iraniano A Separation, sem surpresas, e Rango venceu Melhor Filme de Animação – categoria algo polémica pela não nomeação do filme de Spielberg, Tintin. The Descendants ganhou o Óscar de Melhor Argumento Adaptado, enquanto que Melhor Argumento Original foi para Woody Allen, por Midnight in Paris – uma das agradáveis surpresas da noite.

Na representação, Octavia Spencer foi a Melhor Actriz Secundária pelo seu papel em The Help, e Christopher Plummer venceu o prémio de Melhor Actor Secundário pelo seu trabalho em Beginners, aos 82 anos, finalmente. Aqui tanto ele como Max von Sydow em Extremely Loud and Incredibily Close seriam escolhas felizes.

Durante a cerimónia a câmara ora pousava em Brangelina, ora em Jean Dujardin – a sensação francesa deste ano. E com efeito, o francês juntou ao seu BAFTA o Óscar de Melhor Ator Principal pelo seu desempenho em The Artist como Valentim, um ator de filmes mudos nos anos 20. Na categoria oposta foi Meryl Streep quem venceu com a sua interpretação de Margaret Thatcher em The Iron Lady. Streep é a atriz mais premiada na história do cinema, contando já com 17 nomeações e 3 Óscares da Academia.

E finalmente, quem considera que o vencedor de Melhor Filme tem de levar também para casa o prémio de Melhor Realizador ficou satisfeito, pois  Michel Hazavinicius e o seu musical francês a preto e branco e mudo conquistaram ambas as categorias.

 

Texto: Maria Sofia Teixeira

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Categoria: Cinema

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