Pedro Sacadura – “Sem a fotografia não me iria sentir realizado”

| Dezembro 15, 2011 | Comentários

 

Pedro Sacadura tem 21 anos e estuda na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. É fotógrafo freelancer e trabalha na Moda Lisboa. O seu trabalho foca-se sobretudo na fotografia de moda, um tipo de fotografia que não o assusta por poder ser monótona. Na entrevista à Stand’Art Wall, Pedro Sacadura confessa “não há dois olhares iguais sobre um assunto em particular”. Sabe mais em http://www.behance.net/pedrosacadura e http://olhares.aeiou.pt/pedrosacadura.

Stand’Art Wall: Consideras a fotografia uma Arte?

Pedro Sacadura: Depende do fotógrafo, da sua intenção e se conseguiu realizar o seu objectivo. Para mim, uma fotografia é arte quando o fotógrafo consegue conjugar vários símbolos com o objectivo de formar a sua mensagem, mas deixa espaço suficiente para o observador criar também a sua interpretação. É como se o autor puxasse pela capacidade da audiência e a deixasse completar os espaços em branco entre símbolos e assim partilhar a sua experiência com ela. Uma boa fotografia é aquela que transmite a ideia principal ao público e o “puxa” ao mesmo tempo, fazendo com que este participe nela.

S’A W: Para além dos requisitos técnicos, o que é que nunca pode faltar numa fotografia tua?

P.S.: Na fotografia que pratico hoje em dia, a preocupação com a técnica passou a ser secundária. Obviamente que a técnica está presente nas minhas imagens, mas o que quero dizer é que passou para algo realizado quase de forma automática. Nas fotografias que realizo tento concentrar-me na conjugação e na harmonia entre elementos que melhor ilustrem a mensagem que quero transmitir. Tenho preferência em fotografar pessoas. Gosto muito de reportagem, fotojornalismo e moda. Acho que a relação entre fotógrafo e fotografado tem que estar presente na fotografia. Não gosto de ver fotografias “roubadas”. O respeito mútuo entre fotógrafo e modelo tem que estra presente na imagem. Posso dizer que sou muito perfeccionista nas minhas imagens. Quando realizo o primeiro passo para efectuar uma fotografia, ou seja, concentrar-me na luz e no enquadramento da mesma, faço uma leitura de todos os elementos que vão aparecer dentro da imagem e, de certa forma, elimino ou acrescento aquilo que acho essencial, ou não, para a mensagem ser transmitida. Assim, posso afirmar que aquilo que nunca pode faltar numa fotografia minha é esta preocupação com o momento decisivo, que se pode intitular como uma técnica. É algo que nasce connosco mas que se tem que treinar e aperfeiçoar.

S’A W: A tua forma de encarar a vida influencia-te quando fotografas?

P.S.: Sim. Eu olho para a vida como uma sucessão de acontecimentos, que conjugados contam uma história e é isso que quero transparecer nas minhas imagens. É possível, quer apenas numa imagem, quer num conjunto, contar uma história. A história é das coisas mais importantes numa fotografia. Por vezes é esta história que atribui o valor à fotografia e não a imagem que ela transporta. Muitas vezes estamos diante fotografias que, tecnicamente são fracas, mas que transportam uma história e funcionam como prova de determinado acontecimento. Nas minhas imagens tento representar aquilo que sinto, quer esses sentimentos sejam bons ou maus. Represento aquilo que acho bonito, o que acho injusto, o que acho especial… Tento sempre interessar-me por temas próximos do meu estilo de vida e também daqueles que estão completamente fora da minha realidade. Uso a fotografia como “memória” e “máscara” para encarar algumas coisas que não ia conseguir sem uma máquina fotográfica. Posso dizer que sem a fotografia não me iria sentir realizado em determinados campos, e isso sim, sem dúvida que influencia a minha vida.

S’A W: A possibilidade das fotografias de Moda se tornarem repetitivas, nomeadamente se os mesmos modelos forem fotografados por muitos fotógrafos, preocupa-te? Procuras exclusividade ou procuras ser inovador e diferente?

P.S.: Não acho que isso seja um grande problema. Apesar desse tema, em termos de mercado, não ser determinado pelo fotógrafo mas sim pelo produtor, cabe ao fotógrafo explorar e “puxar” pelo modelo e através disso captar a imagem que quer. Eu não me importo de fotografar modelos que sejam muito fotografados. Basicamente o que faço é ver as fotografias que esse modelo já tenha realizado e pensar em algo que me atraísse acerca dele e que nunca tivesse sido mostrado. Penso que esse campo é muito vasto e há sempre algo para explorar de interessante num modelo. Não há dois olhares iguais sobre um assunto em particular.

S’A W: Quais são os teus projectos para o futuro?

P.S.: Em primeiro lugar quero acabar o Curso. Até lá vou fazendo alguns trabalhos e, essencialmente ganhando experiência e construindo portfólio. Em termos de fotografia, tenho-me preocupado em explorar novas técnicas, tendo como suporte a fotografia analógica. É um mundo que me fascina muito pois torna tudo o que é digital muito mais fácil. É fotografia a sério! Em conjunto com um amigo meu, Francisco Gomes, estou a preparar uma série fotográfica, mais no campo do documentário e do fotojornalismo que será desvendada em breve.

S’A W: Quem é que te inspira?

P.S.: Sem dúvida que sou inspirado por grandes nomes da fotografia, tais como: Sally Mann, Rineke Dijkstra, Diane Arbus, Hiroshi Sugimoto, James Nachtwey, Mario Testino, Terry Richardson, Annie Leibovitz, Irving Penn, Benoit Paillé…

S’A W: O que pensas da Stand’Art Wall?

P.S.: Penso que é algo que faz falta em Portugal nos tempos que correm. A divulgação de artistas e de pessoas que se interessam por arte é muito importante. Nos dias de hoje é bom saber que ainda há plataformas criadas por artistas e para artistas que tem como principal objectivo a promoção e divulgação da arte.

Texto: Gonçalo Piriquito;

Revisão: Sara Cabral.

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Categoria: Fotografia, Fotografia, Novos Talentos

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